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HPV e câncer de garganta: uma relação que muita gente ainda desconhece

Foto do escritor: Vacinar Faz Bem
Vacinar Faz Bem
3 de set.
3 min de leitura

Quando falamos em HPV, o câncer do colo do útero costuma ser uma das primeiras associações.

Essa relação é importante, mas o papilomavírus humano está ligado a outros problemas de saúde que também merecem atenção.

A infecção persistente por alguns tipos de HPV pode estar associada ao desenvolvimento de cânceres do colo do útero, vulva, vagina, ânus, pênis e também de regiões da cabeça e do pescoço.

Entre eles está o câncer de orofaringe, que atinge estruturas localizadas na parte posterior da garganta, como a base da língua e as amígdalas.

HPV também está relacionado ao câncer de garganta

Essa informação ainda é pouco conhecida.

Embora tabagismo e consumo de álcool sejam fatores importantes para o desenvolvimento de cânceres de cabeça e pescoço, alguns tipos de HPV também estão associados a tumores nessa região.

Um dos principais é o HPV 16, classificado como de alto risco oncogênico.

Para 2026, o INCA estima 4.850 novos casos de câncer de orofaringe no Brasil, sendo 3.910 em homens e 940 em mulheres.

Isso não significa que todos esses casos sejam causados pelo HPV, mas reforça a importância de ampliar a conversa sobre o vírus.

HPV não é uma preocupação exclusivamente feminina e não está relacionado apenas ao câncer do colo do útero.

Homens também podem ser infectados pelo vírus, transmiti lo e desenvolver doenças associadas à infecção.

Ter HPV significa desenvolver câncer?

Não.

O HPV é extremamente comum e, na maioria das pessoas, a infecção é eliminada espontaneamente pelo organismo.

O maior risco ocorre quando a infecção por determinados tipos de HPV permanece por um período prolongado.

Alguns desses tipos são considerados oncogênicos, ou seja, têm maior capacidade de provocar alterações nas células que podem evoluir para lesões precursoras e, em alguns casos, câncer.

Por isso, prevenção, vacinação e acompanhamento adequado são fundamentais.

A vacina HPV9 ampliou sua proteção

Um avanço importante aconteceu em dezembro de 2025.

A Anvisa aprovou uma nova indicação para a Gardasil 9, também conhecida como vacina HPV nonavalente.

Além das indicações já existentes, a vacina passou a contemplar também a prevenção de cânceres de orofaringe e outros cânceres de cabeça e pescoço associados aos tipos de HPV presentes em sua composição.

Essa indicação é válida para homens e mulheres de 9 a 45 anos.

A atualização reforça que a vacinação contra o HPV tem um papel de prevenção muito mais amplo do que muitas pessoas imaginam.

Contra quais tipos de HPV a vacina protege?

A vacina HPV nonavalente protege contra nove tipos do vírus:

6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58.

Esses tipos estão relacionados a diferentes manifestações da infecção.

A vacina ajuda na prevenção de cânceres do colo do útero, vulva, vagina e ânus.

Com a ampliação da indicação aprovada pela Anvisa, também passou a contemplar a prevenção de cânceres de orofaringe e outros cânceres de cabeça e pescoço associados aos tipos de HPV presentes na vacina.

Além disso, também protege contra lesões pré cancerosas e verrugas genitais causadas pelos tipos contemplados.

Quem já iniciou a vida sexual ainda pode se vacinar?

Sim.

A vacinação é mais eficaz quando realizada antes do contato com o HPV, por isso a imunização durante a infância e adolescência tem um papel tão importante.

Mas isso não significa que adultos que já iniciaram a vida sexual não possam se beneficiar.

Uma pessoa pode ter tido contato com um tipo de HPV e nunca ter sido exposta aos demais tipos presentes na vacina.

Por isso, ainda pode existir benefício na vacinação dentro das faixas etárias recomendadas.

Também é importante lembrar que a vacina tem função preventiva.

Ela não trata uma infecção pelo HPV já existente nem lesões já instaladas.

Quantas doses da vacina HPV9 são necessárias?

Na rede privada, o esquema recomendado varia de acordo com a idade e a condição de saúde.

De 9 a 19 anos: 2 doses, com intervalo de 6 meses.

A partir de 20 anos: 3 doses, no esquema 0, 2 e 6 meses.

Imunodeprimidos de 9 a 45 anos: 3 doses.

Para quem já recebeu alguma dose de vacina contra o HPV anteriormente, o ideal é avaliar individualmente o histórico vacinal antes de definir o esquema.

Prevenção começa com informação

Ainda existe a percepção de que falar sobre HPV é falar apenas sobre mulheres ou sobre câncer do colo do útero.

Mas o vírus pode estar relacionado a diferentes tipos de câncer e afetar homens e mulheres.

Entender esses riscos também ajuda a ampliar a prevenção.

Durante o Setembro em Flor, período dedicado à conscientização sobre os cânceres ginecológicos, essa conversa ganha ainda mais relevância.

É uma oportunidade para lembrar da importância da prevenção do câncer do colo do útero, mas também para ampliar o conhecimento sobre o HPV e todas as formas de proteção disponíveis.

Na Vacinar Faz Bem, nossa equipe pode avaliar seu histórico vacinal e orientar sobre a indicação e o esquema da vacina HPV nonavalente para você ou para sua família.


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