Meningite bacteriana: por que ela pode matar em poucas horas

Febre, dor de cabeça, mal estar. No início, os sintomas podem ser confundidos com os de outras infecções comuns.
O problema é que, em alguns casos, a meningite bacteriana pode evoluir rapidamente e se transformar em uma emergência médica em poucas horas.
A Organização Mundial da Saúde considera a meningite bacteriana a forma mais perigosa da doença e alerta que ela pode se tornar fatal em até 24 horas. No caso da doença meningocócica associada à meningococcemia, o Ministério da Saúde informa que a evolução pode ser fulminante, levando ao óbito em poucas horas.
Por isso, entender os sinais, saber por que essa evolução pode ser tão rápida e, principalmente, conhecer as formas de prevenção faz diferença.
O que é a meningite bacteriana?
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal.
Ela pode ter diferentes causas. Entre as bactérias mais importantes estão Neisseria meningitidis, conhecida como meningococo, Streptococcus pneumoniae, o pneumococo, e Haemophilus influenzae.
As meningites bacterianas costumam apresentar quadros mais graves e exigem tratamento imediato.
Por que a meningite bacteriana pode evoluir tão rápido?
Depois de entrar no organismo, algumas bactérias conseguem alcançar a corrente sanguínea e as meninges.
A presença da bactéria desencadeia uma resposta inflamatória intensa. Essa inflamação pode comprometer rapidamente o funcionamento do sistema nervoso e de outros órgãos.
Na doença meningocócica, existe ainda a possibilidade de a bactéria se multiplicar no sangue e provocar meningococcemia, uma forma grave de infecção que pode causar sepse, alterações na circulação e comprometimento de vários órgãos.
É justamente essa capacidade de progressão que faz com que algumas pessoas passem de sintomas aparentemente comuns para um quadro muito grave em um curto período.
Por isso, meningite é considerada uma emergência médica. Diante de suspeita da doença, a orientação é procurar atendimento imediatamente. O tratamento da meningite bacteriana é realizado com antibióticos e não deve ser atrasado.
Quais são os primeiros sinais de meningite bacteriana?
Os sintomas não aparecem necessariamente na mesma ordem ou no mesmo intervalo de tempo em todas as pessoas.
Entre os sinais mais frequentes estão:
• Febre
• Dor de cabeça intensa
• Rigidez na nuca
• Náuseas e vômitos
• Sensibilidade à luz
• Sonolência ou dificuldade para acordar
• Confusão mental
Com a progressão do quadro, podem surgir convulsões, delírio, tremores e coma.
Quando existe meningococcemia, outros sinais de alerta podem aparecer, como mãos e pés frios, respiração acelerada, dores intensas pelo corpo e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele.
Não é necessário esperar que todos esses sintomas apareçam para buscar atendimento.
E nos bebês?
Em recém nascidos e bebês, reconhecer a meningite pode ser ainda mais difícil porque os sintomas clássicos nem sempre estão presentes.
É importante observar sinais como:
• Irritabilidade
• Choro persistente
• Vômitos
• Recusa alimentar
• Sonolência excessiva
• Pouca resposta aos estímulos
• Moleira abaulada ou estufada
Qualquer mudança importante no comportamento da criança associada a febre ou outros sinais de infecção merece avaliação médica.
Meningite bacteriana pode deixar sequelas?
Mesmo quando o tratamento é realizado, algumas pessoas podem apresentar complicações.
Segundo o Ministério da Saúde, entre as possíveis consequências da meningite bacteriana estão perda auditiva, danos neurológicos, convulsões, dificuldades cognitivas e, nos quadros graves de doença meningocócica, lesões que podem levar até mesmo à necessidade de amputações.
O Ministério da Saúde informa ainda que de 10% a 20% dos sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas permanentes.
A rapidez no diagnóstico e no início do tratamento influencia diretamente o prognóstico.
A vacinação é uma das principais formas de prevenção
Não existe apenas uma bactéria capaz de provocar meningite. Por isso, também não existe uma única vacina que proteja contra todas as formas de meningite bacteriana.
Existem vacinas contra alguns dos principais agentes responsáveis pela doença, como meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b. O Ministério da Saúde considera a vacinação a principal medida de prevenção contra várias formas de meningite bacteriana.
Entre as vacinas contra a doença meningocócica estão:
Meningocócica ACWY
Protege contra doenças causadas pelos meningococos dos sorogrupos A, C, W e Y.
Meningocócica B
Protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo B.
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacinação meningocócica em diferentes fases da vida, com esquemas definidos conforme idade, vacinação anterior, condições de saúde e situação epidemiológica.
A vacinação não é um cuidado apenas da infância
Bebês e crianças pequenas estão entre os grupos que merecem atenção especial, mas a prevenção da doença meningocócica não termina nos primeiros anos de vida.
Adolescentes também fazem parte das recomendações de vacinação e, em determinadas situações, adultos podem ter indicação das vacinas meningocócicas.
Por isso, mais importante do que tentar lembrar quais doses foram tomadas é avaliar o cartão de vacinação e verificar se a proteção está adequada para a idade e o momento de vida de cada pessoa.
Quando a doença pode avançar em horas, a prevenção não deve ser adiada
A meningite bacteriana é uma doença na qual tempo faz diferença.
Diante de sintomas suspeitos, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Antes que exista uma exposição à doença, existe também uma medida importante que pode ser tomada: manter a vacinação atualizada.



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